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O Museu das Invasões faz parte da minha pesquisa de doutoramento em Antropologia, ainda em andamento. É um estudo visual que busca criticar a ideia de "descoberta", civilização e colonização, partindo de imagens de arquivos produzidas durante o período das invasões ibéricas. As fotografias são de pessoas escravizadas e foram divididas em três categorias: Brasil, São Tomé e  Portugal. 

Museu das Invasões
Busca descodificar as imagens coloniais que expuseram as pessoas ao imperialismo, tendo atenção para perceber como estas imagens nos afetam, despertando a crítica e reconhecendo o racismo, a exploração das terras, a ganância pelo poder.

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BRASIL

O Brasil é a parte onde se inicia o Museu das Invasões, isto devido a dois elementos: o primeiro diz respeito ao meu contato com as roças, que podem ser vistas como a síntese da colonização, e o segundo, pelo meu envolvimento com as manifestações afro-brasileiras, como o candomblé e a capoeira, que me fizeram duvidar da noção de história e de surgimento do Brasil. 

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Ao longo do tempo, os engenhos, as roças e as fazendas foram moldando uma nova "civilização", o novo mundo. Por mais que o colonizador não olhasse para o/a negro/a como humano, foi se misturando em uma costura de sangue, sofrimento, afeto e dor. Os fios que atravessam a costura das fotografias são os fios que uniram meu povo, entre a tirania do branco, a força e a resistência do povo africano e a capacidade do índio em lutar e escapar do colonizador. As fotografias da costura, abaixo, me conectam com o filme "Que horas ela volta" de Anna Muylaert e com a obra "Costura da memória" de Rosa Paulino, trabalhos que revelam e ascendem as conexões feitas pelo tempo e pelo sofrimento. Os bordados foram cuidadosamente feitos por Alice Morim.

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Portugal

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Vir para Portugal, me sentir nessa terra e enfrentar o sistema de imigração para estudar, para continuar minha pesquisa sobre as roças de cacau, foi uma experiência reveladora, pois  desde que cheguei, fiquei surpreso com a construção do discurso de glorificação das navegações, que narram uma só história oficial de "descobertas". O que mais me incomodou nessa construção de um discurso de "descobrimento", foi a ligação desse discurso com a história contada no Brasil, o modo como meu povo de origem aceita essa alegoria do traje imperialista moderno.

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SÃO TOMé

Ir para São Tomé dar continuidade a minha pesquisa com roças de cacau me fez, pela segunda vez, perceber que o projeto de dominação colonial tinha um modo de operar capaz de perdurar, mesmo depois da independência. Quer seja na forma como a história era contada nas escolas, nos processos de corrupção, na constante exploração das terras ou mesmo no racismo implantado durante séculos para subjugar o/a negro/a. No entanto, isto não deve ser lido apenas por um ponto de vista, do branco dominador, mas também das pessoas que lá permanecem, lutando pelas terras, preservando seus idiomas, criando redes familiares de solidariedade, cultivando e recriando valores com a terra, aprendendo a usar as plantas, desenvolvendo redes de apoio para o cuidado das crianças, usando do ócio como forma de resistência, criando uma forma de estar vivo. Mantendo-se em estado "leve-leve", como costumam dizer as\os santomenses ao responderem à pergunta "como vai? Tudo bem?".  

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